Masterizar para vinyl
A masterização para vinyl é um processo diferente do normal pois o formato final é muito diferente dos convencionais formatos digitais.
A primeira problemática no que diz respeito ao Vinyl tem a ver com a velocidade de reprodução dos mesmos, se estes são prensados para tocarem a 45 rotações por minuto ou a 33 1/3 rpm, pois velocidade tem impacto no som do vinyl. Regra geral, um vinyl a 45 rpm soa melhor que um equivalente a 33 1/3 rpm, apesar de neste segundo ser possível prensar com mais nível quando comparado com o primeiro, o que em alguns géneros musicais pode ser vantajoso.
Para ambas as velocidades existem diversos tamanhos standard para o vinyl, sendo o maior o de 12″, o médio de 10″ e o menor o de 7″. Além destes existem ainda o de 12″ Single, 10″ Single e o 7″ Single, que são versões de um só lado e daí serem chamados de Single.
A grande problemática de produzir um vinyl de qualidade está no tempo de gravação a prensar, que está intrinsecamente ligado ao nível e à qualidade de som final. A tabela em baixo mostra os tempos recomendados e máximos de música para cada tamanho e em cada velocidade, que serve de referência a todos os trabalhos para serem masterizados para vinyl. De notar que estes tempos variam de estúdio para estúdio, de técnico para técnico, e existem outros estúdios que podem aceitar fazer vinyl com tempos maiores sacrificando a qualidade do produto final. Este é o nosso padrão de qualidade, os tempos máximos são aqueles que acreditamos que não compensam ser ultrapassados pois estaríamos a sacrificar a música com que trabalhamos.
| 12″a 33 1/3 RPM | 12″a 45 RPM |
| Tempo recomendado por lado: até 14 minutos. Tempo máximo: 20 minutos | Tempo recomendado por lado: até 9 minutos. Tempo máximo: 15 minutos. |
| 10″a 33 1/3 RPM | 10″a 45 RPM |
| Tempo recomendado por lado: até 9 minutos. Tempo máximo: 14 minutos | Tempo recomendado por lado: até 7 minutos. Tempo máximo: 11 minutos. |
| 7″a 33 1/3 RPM | 7″a 45 RPM |
| Tempo recomendado por lado: até 5 minutos. Tempo máximo: 9 minutos | Tempo recomendado por lado: até 3 minutos. Tempo máximo: 6 minutos. |
Além das particularidades do formato, masterizar para Vinyl implica adequar o conteúdo para poder cortar um lacquer com qualidade, pois se isso não for feito os discos prensados podem não ter boa qualidade sonora. Demasiada energia em certas frequências, ou mesmo um nível exagerado de sinal, pode até impedir o próprio corte do lacquer, pois o formato é de resolução limitada.
No nosso estúdio fazemos regularmente masterizações para vinyl e, graças a uma parceria com a Reverse Primecut, uma empresa de corte de lacquers em Barcelona, podemos até incluir no nosso serviço o próprio lacquer. Desta forma, é possível garantir a melhor qualidade possível para prensagem vinyl pois tanto a masterização como o lacquer são feitos por empresas especializadas, com excelente comunicação durante todo o processo e com todas as ferramentas necessárias.
Além disto, com esta parceria somos também capazes de entregar dubplates ou "reference cuts" aos nossos clientes, ou seja, um vinyl de teste que toca em qualquer leitor convencional. Estes discos são de gramagem alta (250gr), apenas podem ser produzidos em poucas unidades e têm uma durabilidade reduzida quando comparados com um vinyl tradicional. A aplicação destes discos é apenas para poder ouvir como vai soar um determinado disco antes de ser prensado ou para ser usado por músicos que queiram ter a sua música em vinyl para a poder usar nesse formato, como é o caso dos produtores ou DJ que muitas vezes precisam de ter as suas produções neste formato.
Como preparar uma sessão de masterização
Saiba o que deve e não deve fazer quando exportar a sua mistura para garantir os melhores resultados na masterização.
1. Não utilize qualquer tipo de processamento – TC-Finalizer, L1, L2, L3, MAXIM, Limiter, Inflator, Loudness, Enhancer, Vitalizer, etc. - no barramento principal da mistura (master) para obter maior volume aparente. O volume final de um disco é definido apenas na masterização, pelo que durante a mistura esse factor não deve ser importante.
2. Envie as misturas na sua resolução original, seja ela qual for (16 bit / 44.1 kHz, 24/48, 32/96, 24/44.1,etc.). Pode enviar-nos as misturas em qualquer formato de áudio digital (.wav, .bwf, .aiff, .sd2, etc.). Aceitamos também fontes em DSD.
3. Certifique-se que o barramento principal da mistura não está a distorcer. Não precisa de baixar ou subir o nível geral da mistura desde que este não esteja a distorcer.
4. Não utilize qualquer tipo de compressão no barramento principal da mistura se não tiver a certeza dos benefícios deste processamento. Em caso de dúvida pode sempre enviar-nos uma versão com e sem compressão para nós decidirmos qual a melhor versão a ser utilizada.
5. Verifique todas as misturas cuidadosamente antes de as enviar. Deixe sempre alguns segundos de silêncio antes e depois de cada uma das músicas. Deixe todo o tipo de fade-ins ou fade-outs para o processo de masterização.
Masterizar para iTunes
A Apple divulgou um conjunto de normas, procedimentos e recomendações para os técnicos de masterização fazerem versões especificas de masterizações para o iTunes, de forma a garantir o melhor resultado sonoro em toda a música distribuída nesta loja online.
AA importância da loja iTunes na indústria da música é cada vez maior e a Apple tem feito um esforço para aumentar a qualidade sonora dos formatos com que trabalha, sendo a iniciativa “Mastered for iTunes” um exemplo disso. Esta iniciativa oferece um conjunto de ferramentas e indica normas especificas para o processo de masterização, de forma a poder criar ficheiros em alta-resolução que possam ser submetidos na loja iTunes para serem aí convertidos no formato final.
Se seguidas estas normas e se usadas as ferramentas fornecidas pela Apple é possível garantir a integridade da música vendida no iTunes e, acima de tudo, é possível ouvir com exactidão como é que a música vai soar quando for ouvida nesta loja online. É então possível fazer ajustes durante a masterização para garantir que o resultado final soe da melhor forma possível dentro da loja iTunes, o que é sem dúvida uma excelente iniciativa por parte da Apple.
O Bender Mastering Studio encontra-se preparado para entregar versões “Mastered for iTunes”, que podem ser produzidas gratuitamente aos nossos clientes além da versão masterizada para CD ou para os outros formatos de distribuição. Estas versões serão fornecidas em formato de dados, prontas a ser submetidas à Apple, e serão produzidas de forma a tirar o melhor rendimento da loja iTunes e das tecnologias proprietárias da marca como é o caso do Soundcheck.
CD-TEXT, CDDB, ISRC, UPC e EAN
Uma das principais tarefas num estúdio de masterização consiste em identificar todos os trabalhos que são feitos, pois só com estes meios de identificação é que é possível aos artistas e editoras saber certas informações como, por exemplo, o número de vendas de um disco ou o número de vezes que um tema passou na rádio. Além disto, também só se um disco estiver correctamente identificado é que é possível ao ouvinte ter acesso a informação de metadata, como é o caso do nome de artista e das músicas, para que esta informação possa ser visualizada no leitor de CDs.
Hoje em dia, com a nova realidade das distribuições em formatos digitais, estes meios de identificação são cada vez mais importantes, até porque algumas lojas online – como por exemplo o iTunes – só aceitam conteúdos que estejam devidamente identificados.
Além deste código de produto existe um código que é essencial no mundo da indústria discográfica, o ISRC (International Standard Recording Code). Este é um código de 12 caracteres criado para cada artista, disco e tema que serve para identificar o mesmo. Este código é fundamental a quem pretende, por exemplo, vender músicas em formato digital em lojas on-line como é o caso do iTunes. É também o único código desta lista que pode ser embutido em ficheiros digitais, pois todos os outros dizem respeito a um produto, ou seja, um disco de música.
Uma outra forma de identificar um disco é adicionando informação de metadata, no próprio disco ou numa base de dados online, que permita depois aos leitores terem informação sobre o nome das músicas do disco, o nome do artista, o nome do álbum, o género musical, entre outras informações.
O CD-TEXT é o formato que permite inserir essas informações num CD Audio, sendo que esta informação é embutida no próprio master durante a masterização, mas é um formato relativamente antigo e a maioria dos leitores de CD actuais não suporta esta funcionalidade. Hoje em dia, apenas alguns leitores de CDs em automóveis e alguns modelos antigos é que suportam CD-TEXT, pois nem a maioria dos computadores consegue ler CD-TEXT.
Esta problemática do CD-TEXT pode trazer algumas dúvidas à maioria das pessoas pois não é este serviço que faz, por exemplo, que quando um utilizador insira um CD de música no computador apareça automaticamente o nome do artista, músicas, álbum ou até o género musical. Isto acontece por causa da tecnologia CDDB que é distinta e funciona de maneira muito diferente da tecnologia CD-TEXT.
O CDDB é uma base de dados online, e por isso requer uma ligação à internet para funcionar, que faz com que sempre que um CD de música seja inserido no computador o programa analisa o tempo total e individual do disco e de cada música e, com essa informação, encontra nessa base de dados toda a informação relativa ao artista, álbum ou nome de música. Ao contrário do CD-TEXT esta informação não está gravada no CD e é obtida através de uma base de dados online, onde qualquer pessoa pode inserir dados relativamente a qualquer disco.
No nosso estúdio fazemos gratuitamente a inserção de informação CD-TEXT e, se o cliente pretender, poderemos também inserir a informação do disco na base de dados do CDDB, bem como a inserção dos códigos ISRC ou UPC/EAN. Numa nota final, toda esta informação é sempre copiada do que nos é fornecido pelo cliente, para não haver possibilidade de erros na identificação das músicas ou do disco, pelo que deve verificar sempre atentamente toda a informação escrita que nos enviar.
CD Master ou DDP
Uma das etapas mais importantes do processo de masterização é, literalmente, fazer um master. Este master é o disco ou o ficheiro que permite fazer as cópias finais em fábrica e, também, que servirá para arquivo do registo.
Garantir a qualidade de um master é de extrema importância dado que todas as cópias serão feitas a partir desse master e qualquer falha ou erros que este possa ter podem ser copiadas para o produto final. Um vulgar gravador de CDs ou software de gravação de CDs não garante a qualidade necessária ao processo e, além disso, não inclui nenhuma verificação de erros. Por esta razão a verificação de erros de um master só poderá ser feita com equipamento e software dedicado, algo que temos ao nosso dispor aqui no estúdio.
Em relação ao master para duplicação de CDs, no nosso estúdio produzimos dois formatos de master, com software e gravadores dedicados em ambiente controlado e com constante com verificação de erros, garantindo sempre um master de extrema qualidade independentemente do formato. Estes dois formatos são o CD Audio e o formato DDP.
O CD Audio é um formato relativamente antigo e, para simplificar, é na realidade um CD de música semelhante ao produto final com a particularidade de ter alguma informação de metadata, produzido conforme as normas do Red Book. A informação de metadata que este pode conter inclui os códigos ISRC, os códigos UPC/EAN para identificar o disco e, também, toda a informação de CD-TEXT.
O segundo formato, o DDP (DDP – Disc Description Protocol), é um formato de data que é na realidade a imagem do disco a ser copiado e não o próprio disco. Este formato é mais seguro e cómodo pois sendo um formatao de data tem um sistema de correcção de erros muito mais eficaz e permite ser enviado pela internet para fábricas em qualquer ponto do mundo, sem qualquer perda de qualidade. É um formato mais recente e apesar de a grande maioria das fábricas aceitarem duplicar discos a partir deste formato, existem algumas duplicadores mais pequenas que apenas trabalham com CD Audio.
Em caso de dúvida pode sempre pedir dois masters, um em cada um dos formatos, e depois decidir com a empresa que fará a duplicação qual o formato a usar.
